SimulAuto — Dados
A série oficial do Banco Central desde 2019, o mínimo e o máximo do período, a comparação com a Selic e o que cada ponto da curva custa em reais.
Por Victor dos Santos · Publicado em 5 de outubro de 2026 · 9 min de leitura
Em agosto de 2026, o último mês divulgado, a taxa média de financiamento de veículo para pessoa física estava em 26,42% ao ano. No período que a série cobre, o ponto mais baixo foi 18,56% em setembro de 2020 e o mais alto, 29,52% em janeiro de 2025.
A distância entre o mínimo e o máximo é o que separa um financiamento barato de um caro para a mesma pessoa, no mesmo carro. Para R$ 64.000 financiados em 48 meses — um carro de R$ 80 mil com 20% de entrada — a parcela seria de R$ 1.852 na taxa mínima e de R$ 2.163 na máxima. Em juros totais, a diferença é de R$ 14.959. Na taxa de agosto de 2026, a parcela fica em R$ 2.075 e os juros em R$ 35.601.
A meta da Selic é o custo básico do dinheiro no país e o ponto de partida de qualquer taxa de crédito. Quando ela sobe, o financiamento encarece; quando cai, alivia. Mas a distância entre as duas linhas — o que o mercado chama de spread — não é fixa. No período, essa distância variou de 11,4% a 19,7% pontos percentuais; em agosto de 2026 está em 12,4% pontos.
Esse spread é o que paga a inadimplência esperada, o custo do banco, o imposto e a margem. Ele costuma abrir quando a inadimplência sobe e fechar quando os bancos disputam cliente. Na prática, isso significa que a Selic cair não garante que a sua taxa de financiamento caia na mesma proporção — e é por isso que vale olhar o ranking por instituição, onde a disputa aparece.
A tabela resume cada ano: taxa em janeiro, taxa no último mês do ano, média do ano, média da Selic e o spread médio. O ano corrente vai até o último mês divulgado.
| Ano | Janeiro | Último mês | Média do ano | Selic média | Spread médio |
|---|---|---|---|---|---|
| 2019 | 22,4% | 19,1% | 20,6% | 6,0% | 14,6% |
| 2020 | 19,7% | 19,2% | 19,3% | 2,8% | 16,4% |
| 2021 | 20,2% | 26,8% | 22,7% | 4,8% | 17,9% |
| 2022 | 26,9% | 28,7% | 27,3% | 12,6% | 14,7% |
| 2023 | 29,1% | 25,5% | 27,2% | 13,2% | 13,9% |
| 2024 | 26,1% | 27,5% | 25,9% | 11,0% | 14,9% |
| 2025 | 29,5% | 26,4% | 27,8% | 14,6% | 13,2% |
| 2026 (até ago) | 27,7% | 26,4% | 26,7% | 14,5% | 12,2% |
Use 1,97% ao mês — a média atual — ou a taxa da sua proposta, e compare.
Abrir o simulador →O histórico mostra ciclos longos: a taxa leva anos para ir de um extremo ao outro. Quem adia a compra esperando "a taxa voltar" pode esperar muito — e enquanto isso o preço do carro também se move. A decisão melhor costuma ser financiar menos (mais entrada, prazo menor) do que esperar a taxa ideal.
Em taxa baixa, o prazo pesa pouco; em taxa alta, o prazo multiplica o custo. Se a taxa atual está perto do topo da série, encurtar o prazo tem efeito muito maior do que teria no fundo da série. O guia de Tabela Price mostra o porquê, mês a mês.
Quem financiou perto do máximo e vê a série caindo pode avaliar portabilidade ou refinanciamento. A conta a fazer é simples: juros que faltam pagar no contrato atual contra juros do contrato novo mais os custos da troca.
Série 20749 do SGS do Banco Central — taxa média de juros das operações de crédito com recursos livres, pessoas físicas, aquisição de veículos, em % ao ano — de janeiro de 2019 ao último mês disponível, obtida pela API pública de dados abertos em 5 de outubro de 2026. Meta da Selic pela série 432, convertida para mensal pelo valor vigente ao fim de cada mês. Spread = taxa de veículos menos meta da Selic, em pontos percentuais. Os exemplos em reais usam a Tabela Price com a taxa anual convertida para mensal por equivalência composta, sem IOF e sem tarifas.
Todos os números desta página vêm de fontes públicas e podem ser conferidos nos endereços abaixo. Quando há cálculo nosso, a fórmula e as premissas estão descritas no texto.
Última atualização: 5 de outubro de 2026. Esta página é refeita quando os órgãos divulgam dados novos; a data acima é a referência que vale.
Não. A série 20749 junta todas as operações de aquisição de veículos por pessoa física, novos e usados. Usados costumam ter taxa acima da média e novos de montadora, abaixo.
A diferença é o spread: cobre inadimplência esperada, custo operacional, impostos e margem do banco. No período analisado ele variou entre 11,4% e 19,7% pontos percentuais.
O Banco Central publica a taxa média mensalmente, com cerca de um a dois meses de defasagem. Esta página é refeita quando sai um mês novo.
Os ciclos da série são longos, de anos. Em geral compensa mais reduzir o valor financiado — entrada maior ou prazo menor — do que esperar a taxa ideal, que pode demorar e vir acompanhada de carro mais caro.